TV paga diz que não ver ameaça em serviços como Netflix
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Não é só a Netflix nem
a Amazon. Nos últimos anos, os serviços de TV on-demand se
popularizaram e, hoje, canais como Fox, TNT e a própria Globo têm
plataformas para chamar de suas. E, para executivos que fazem parte da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA),
o surgimento delas não representa uma ameaça ao setor – não só pelo
fato de a maioria, ainda, estar atrelada a um pacote de TV, como também
por corresponder a uma demanda dos atuais e futuros assinantes.
Num momento em que vários representantes do setor possuem seus
próprios serviços de conteúdo via streaming, as empresas de TV por
assinatura parecem ter começado a amenizar o discurso em relação a quem
até então consideravam concorrentes - incluindo a Netflix.
Em evento repercutido pelo UOL nessa terça-feira, 21, o presidente da
Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Oscar Simões,
afirmou que “dezenas e dezenas” de canais pagos ativaram opções de
conteúdo sob demanda. “Isso mostra a resposta da indústria”, comentou. “Passou a ser a demanda? Vamos ao máximo para criar o que o telespectador quer. É crescente e parece uma tendência inexorável.”
Apesar de não haver números oficiais, os executivos afirmam que eles são "crescentes". "Cada vez mais você tem um número significativo de pessoas que usam o on-demand", avaliou o presidente da ABTA, Oscar Simões, em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (21). "E
dezenas e dezenas de canais têm [o serviço] hoje, o que há três anos
quase não existia. Isso mostra a resposta da indústria. Passou a ser a
demanda? Vamos ao máximo para criar o que o telespectador quer. É
crescente e parece uma tendência inexorável. Evidente que nós temos uma
limitação porque nem todos os lugares do Brasil têm banda larga, e, no
tamanho de banda que seria o desejável, há uma limitação".
As novas plataformas também ajudam a
atrair os jovens, que serão os assinantes do futuro, na avaliação de
José Francisco de Araújo Lima, vice-presidente jurídico da entidade e
diretor de relações institucionais das Organizações Globo. "O
importante com essa tendência é atender ao jovem, uma classe que não
quer mais se vincular, ficar sentado e acompanhar em um certo horário.
On-demand é uma alternativa para essa nova geração". Acrescentou o vice-presidente jurídico da entidade. José Francisco de Araújo Lima, que também é diretor de relações institucionais das Organizações Globo. “On-demand é uma alternativa para essa nova geração.”
Nem a Netflix – que em 2015 foi o motivo de cobranças do setor,
acusada de concorrência desleal – é vista hoje como uma rival das TVs,
apesar da queda na base de assinantes em 2015 e 2016. Em abril desse
ano, foram registrados 18,91 milhões de assinantes, contra 19,11 de
2015. "Eu não tenho dúvida de que a perda está muito mais relacionada à
condição de renda do que a um ataque de uma nova plataforma", afirmou
Simões. "Na
operação digital, a empresa [Netflix] se aproxima mais de uma produtora
de conteúdo. E nesse sentido ela é mais complementar do que uma
competidora".
Há mais de um ano que representantes
das TVs pagas tentam forçar a Netflix a se adequar a regras que
indiretamente enfraqueceriam a locadora virtual. Uma delas é o pagamento
do Condecine, uma taxa de R$ 3 mil sobre cada título disponível em seu
catálogo. Em janeiro, surgiu a informação de que o setor se preparava
para uma guerra contra a Netflix por meio de um “megalobby” em Brasília.
Apesar disso, o presidente da ABTA ressaltou que é importante haver
isonomia nas obrigações da TV paga e dos serviços de streaming. "Acho
que o tratamento deva ser igual para que você tenha competição. Se eu
tenho obrigações de cota, tributárias, uma serie de obrigações, e eu
tenho um concorrente que não as tem, ele tem uma vantagem em relação ao
meu negócio. Então ou você regulamenta para todos ou desregulamenta para
todos. Eu até preferia essa segunda opção. Mas o Estado vai ter que
analisar". disse o presidente da entidade.
Serviços standalone
A tendência dos serviços de streaming
não vinculados a uma assinatura – como o HBO Now, lançado pela emissora
nos Estados Unidos – é vista com cautela pelos executivos, mas eles não
acreditam que ela se tornará a regra na indústria.
"Há
um ecossistema, tem Globo, tem Fox, tem Globosat. Se começar todo mundo
a vender fora o produto, não vai ter a posição privilegiada da
plataforma de TV por assinatura. A HBO ainda não vende o HBO Now no
Brasil, mas se ela começar a vender, nós vamos ver quais são as
consequências disso no modelo de distribuição que existe", disse Fernando Magalhães, diretor de programação da NET.
Já Araújo Lima disse não acreditar na
prevalência dos serviços independentes. "Eu acho que temos que ser
criativos para preservar o modelo. Nós não imaginamos um serviço sem a
TV por assinatura na ponta. O que nós queremos é dar a força possível
para que esse sistema não se fragilize, que é a sobrevivência da
programação. Não imagino um mundo em que todo programador esteja na
internet, sem haver uma organização e oferta [na TV]. A TV everywhere
está prestando um serviço também às prestadoras de serviço de TV por
assinatura, porque permitem que aquele assinante poderá assistir o
conteúdo, mas acho que não pode ter isso sem ter a assinatura. isso é
uma forma de sobrevivência".










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